A bancada da oposição na Assembleia Legislativa do Piauí é pequena e pouco consegue fazer diante de uma esmagadora maioria governista que aprova todas as matérias que quer, ainda que ela seja questionável ou mesmo absurda. Isso ocorre porque, de uns tempos para cá, se tornou comum os deputados que são eleitos na oposição logo buscarem o abrigo confortável do Governo, onde ganham estruturas de secretarias para manter as bases eleitorais e garantir a engrenagem da eleição seguinte.
Ter muitos votos e ganhar disputas eleitorais montado em grandes estruturas de governo é fácil. Difícil é ter sucesso eleitoral no sol da oposição. É nesse contexto que o deputado estadual Gustavo Neiva (Progressistas) tem se sobressaído nos últimos anos. Hoje no quarto mandato seguido na Alepi, ele já está há 11 anos na oposição. Só foi da situação em seu primeiro mandato, durante o governo de Wilson Martins, quando seu pai Avelino Neiva era secretário.
Com a derrota do seu candidato majoritário em 2014, passou a ser oposição e permanece até hoje. Ao longo desses anos, o parlamentar se destacou por uma postura de oposição firme, que denuncia e incomoda, mas sem nunca ter descambado para o denuncismo barato e para ataques. Gustavo Neiva se tornou o principal rosto da oposição no parlamento do Piauí ao tempo que conseguiu manter uma imagem respeitada até por governistas, justamente por fazer oposição com argumentos e não com discursos vazios.
Neiva não é um deputado rico quando comparado a muitos outros, não possui estrutura de comunicação para estar com frequência nos estúdios das televisões e não tem secretaria de estado para alojar aliados e distribuir calçamentos e reformas de estradas vicinais pelo interior do Piauí. Mesmo assim, conseguiu ser reeleito sucessivamente com boas votações. Na eleição de 2022, viu sua votação aumentar quase 22% em relação ao pleito de 2018.
O deputado conseguiu fazer do limão uma limonada. Ao longo desses anos, fez da palavra que reverbera no plenário uma de suas principais trincheiras políticas, postura que não apenas o fez virar o principal rosto da oposição no parlamento, mas também lhe garantiu uma consolidação política mesmo diante das dificuldades que ser de oposição no Piauí impõe a um agente público. E, quando se fala em consolidação, não se está dizendo que ele tem reeleição garantida, mas que chegou ao quarto mandato em circunstâncias que muitos não teriam chegado se não tivessem montados em estruturas governamentais.
Vale lembrar que Gustavo Neiva já foi bastante cortejado para ir para o Governo, como ocorreu em meados de 2021, quando o PSB, seu partido à época, retornou para a sombra do Karnak em decisão liderada por Wilson Martins, que cansou da oposição. A sigla foi e quis levar Neiva, mas ele preferiu manter a coerência após ter passado o mandato inteiro combatendo a gestão Wellington Dias (PT). Mudar às vésperas do ano eleitoral não pegaria bem.
Para as eleições deste ano, ele vai buscar o quinto mandato seguido. Até agora, é apontado pelos que analisam política como um dos poucos favoritos na chapa proporcional que a oposição está pelejando para formar até as convenções eleitorais de 2026.
Nesses tempos em que poucos oposicionistas permanecem onde o resultado das urnas lhes colocam, Gustavo Neiva é um exemplo de que, mesmo diante da hercúlea tarefa de ser oposição no Piauí, é possível se sobressair, ter voto e renovar o mandato. E, como consequência disso, dá ao povo a opção de não ter um parlamento inteiro de joelhos para o Palácio.







